Consultório agrícola: alimentação de bovinos em períodos de seca
Última modificação: 28/06/2013 - 00:39:34

Há vários alternativas práticas e economicamente viáveis que podem contribuir para a saúde do gado
por João Mathias

Independente da intensidade e duração da estiagem, a alimentação suplementar é fundamental
Durante longos períodos de seca é necessário fornecer algum suplemento alimentar para bovinos?

Roberto Azevedo de Morais
Nova Mutum, MT

Independente da intensidade e da duração da época de seca nos campos, o fornecimento de alimentação suplementar para o gado é sempre importante. Por isso, o produtor deve estar constantemente preparado e munido de um planejamento alimentar, para que seu rebanho tenha condições de enfrentar os períodos sem chuva.

Em tempos de seca, o capim não cresce com o mesmo vigor que apresenta em condições climáticas mais adequadas e tem seu valor nutricional reduzido, prejudicando a quantidade e a qualidade da forragem das pastagens que servem de alimento para os animais. Se depender apenas do pasto para fazer as refeições durante o período seco, o gado terá perda de peso, queda na produção de leite e na taxa de fertilidade, além de maior predisposição a contrair doenças e correr risco de morte.

Assim, em época de chuva escassa, o uso de suplementação alimentar é essencial para manter o gado saudável. Cana-de-açúcar e ureia, capim-elefante, leguminosas forrageiras, diferimento de pastagens e silagem, são algumas alternativas práticas e economicamente viáveis para nutrir os animais enquanto o tempo seco permanecer.

O produtor também pode fazer uso racional de alimentos regionais, como subprodutos agroindustriais. Em geral, eles são de baixo custo e de fácil aquisição e transporte. Contudo, têm como limitações o desconhecimento de sua composição química e valor nutritivo, além de problemas de armazenamento, de conservação e de disponibilidade ao longo do ano.


Alternativas nutritivas


Misturada com ureia, a cana-de-açúcar auxilia na suplementação alimentar
Entre as opções que podem contribuir para atender às necessidades dos rebanhos no período seco estão:

%u2022 Cana-de-açúcar e ureia %u2013 destinada para o gado bovino, a mistura serve como fonte de energia e proteína. Para corrigir o baixo teor de proteína da cana, é indicada a adição de ureia, cujo uso na suplementação deve ocorrer somente nos níveis recomendados e com a adaptação dos animais.

%u2022 Capim-elefante %u2013 de fácil cultivo, elevada produção, bom valor nutritivo e resistente a pragas, o capim-elefante é a forrageira mais usada na formação de capineiras, as quais devem ser manejadas durante todo o ano, inclusive durante o período chuvoso. Caso contrário, o capim-elefante perde seu valor nutritivo tornando-se muito fibroso e com pouca proteína.

%u2022 Leguminosas %u2013 são forrageiras que asseguram um bom padrão alimentar para os animais, sobretudo em época de seca. Contêm muita proteína e são fáceis de ser digeridas, inclusive têm alta capacidade de fixação de nitrogênio da atmosfera, contribuindo para a melhoria da fertilidade do solo. Podem ser estabelecidas em consórcio com gramíneas ou formando "banco de proteína", que será utilizado estrategicamente durante a estação de seca.

%u2022 Diferimento de pastagens %u2013 trata-se de alternativa para corrigir a defasagem da produção de forragem durante o ano. A utilização da pastagem é suspensa entre meados e o fim do período chuvoso, para favorecer o acúmulo de forragem e criar uma reserva para uso durante a época de seca, como "feno em pé".

%u2022 Silagem %u2013 opção de armazenagem de forragem no período das águas, para os animais enfrentarem os meses de estiagem. Como o processo envolve mecanização total, é mais caro do que as demais alternativas citadas acima. O milho e o sorgo são indicados como melhores sugestões, devido à facilidade de cultivo, elevados rendimentos e qualidade da silagem produzida.

Consultores: Ana Karina Salman e Cláudio Townsend, pesquisadores da Embrapa Rondônia.

Forragem hidropônica de milho


Em 15 dias, forragem hidropônica já pode ser colhida.
Técnica criada inicialmente como método de pesquisa por estudiosos alemães e, mais tarde, aperfeiçoada pelos Estados Unidos para o cultivo de hortaliças, a hidroponia também tem sido utilizada por aqui para produzir suplemento alimentar para animais como bovinos, caprinos e ovinos.

Desenvolvida na década de 90, a partir de experiências realizadas por instituições brasileiras de pesquisa, como o Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Norte (Emater/RN), a forragem hidropônica de milho tem boa aceitação pelos rebanhos de pecuaristas que já fazem uso dela. Ainda pouco difundido no país, o produto é mais uma opção de alimento para criações durante os meses de seca.

Fácil, rápida e barata, a produção do alimento pode ser realizada em qualquer parte do território nacional e época do ano. Em 15 dias de plantio, a forragem hidropônica de milho já pode ser colhida para abastecer os cochos das criações.

Com semeadura de 2 quilos de grãos em um espaço de apenas um metro quadrado, em duas ou três semanas podem ser colhidos 20 ou 30 quilos de forragem verde destinada para consumo animal. O preço do quilo do alimento chega a R$ 0,09, enquanto o do bagaço de cana atinge R$ 0,10 e o da torta de algodão, R$ 0,30.

Dada as vantagens da forragem feita do cultivo de milho hidropônico, o Sebrae da Paraíba tem estimulado pequenos criadores da região a adotar a solução para enfrentar a forte estiagem registrada no Nordeste.

Além de promover visita em propriedade que aplica a técnica, o Seabre disponibiliza a pecuaristas interessados um kit com o material necessário para iniciar a atividade. Para a produção da forragem hidropônica de milho são utilizados micro e macro ingredientes, como sulfato de magnésio, de cobre, de manganês, de zinco, ácido bórico, molibdênio, quelato de ferro, fosfato de amônia e nitrato de potássio.